Como ir de Santiago-Chile a Mendoza-Argentina, de carro.
Quando resolvemos fazer a travessia de 400km entre Santiago a Mendoza de carro surgiram milhares de dúvidas na minha cabeça. E as poucas informações que encontrei online acabaram não ajudando em muita coisa. Além do mais, o período que escolhemos para cruzar a fronteira ainda era inverno e corria o risco da estrada estar fechada devido a nevascas que poderiam ocorrer nos Andes. Mesmo assim, fomos na cara e na coragem e tudo deu mais ou menos que certo no final.
Para conseguir cruzar a fronteira com carro alugado, primeiro você precisa de uma documentação especial como se fosse um Visto do automóvel. O prazo para conseguir essa documentação é por volta de 1 semana e quem dá entrada é a Locadora do veículo. Nós alugamos com a Econorent diretamente no balcão do aeroporto de Santiago e quem nos atendeu foi o Julio, super simpático e prestativo e até falava um portunhol.
Documentação necessária para aluguel do carro:
- Carteira de motorista (Não precisa ser a internacional) de todos os possíveis condutores do veículo.
- Cartão de crédito internacional
- RG ou passaporte da pessoa que estará assinando o contrato de locação.
- Saber por onde você irá sair do país e por onde irá retornar para os “tramites del cruce”. No nosso caso, foi o Paso de los Libertadores, Ruta 7.
Uma semana depois, fomos retirar o carro no dia que pretendíamos fazer a travessia e descobrimos que as estradas estavam fechadas por causa de uma nevasca no dia anterior. Sendo assim, perdemos um dia zanzando por Santiago e rezamos para que no dia seguinte a estrada fosse liberada. Para adiantar, saímos de Santiago no fim do dia e dirigimos até a cidade Los Andes e dormimos lá na esperança de que no dia seguinte, conseguíssemos cruzar a fronteira. E no dia seguinte, um milagre de deus! Tempo limpo, sol na cabeça, estrada liberada e seguimos nós p/ a road trip mais esperada do ano.
A estrada é muito boa e todos os trechos são asfaltados. Percebemos que até os carros mais vagabundos estavam andando pela estrada. Ou seja, alugamos um 4×4 de alegre e rasgamos dinheiro. Qualquer celta faria o trajeto numa boa. Chegando perto da aduana, começam as famosas curvas conhecidas como “Los Caracoles”. São uma sequência de 19 curvas super fechadas, mas todo mundo sobe/desce num passo de tartaruga, então oferece perigo nenhum. Aí você também começa a ver uma fila interminável de caminhões de carga esperando para passar pela alfândega. Ignore a fila dos caminhões e siga margeando com cuidado o quanto der “furando” a fila. Todo mundo faz isso e a fila que você pega é diferente do que eles pegam, então fique tranquilo que você não está dando uma de espertalhão fura-fila.
Chegando na alfândega você entrega os milhões de documentos que a locadora te entregou e reza pra não faltar nada. Um dos nossos amigos perdeu o papel de entrada/saída do país, aquele que carimbam no aeroporto, e levamos um chá de cadeira para conseguir liberar a saída dele no país. Depois, revista nos carros, pediram para abrir algumas malas, mas tudo tranquilo e seguimos em frente. Perde-se mais ou menos 1 hora nessa brincadeira. Na ida não tivemos que sair do carro para quase nada, mas na volta tivemos que estacionar, descer, pegar filas na imigração, carimbar mil coisas em 5 cabines diferentes, pagar pedágio, etc.
Saindo de lá, já fica o Aconcagua, o ponto mais alto do hemisfério Sul. Não conseguimos entrar/parar porquê perdemos a saída e a sinalização também não estava toda evidente por causa da neve. Desencanamos e paramos no “Puente del Inca“, uma ponte natural de rocha formada em cima do Rio Las Curvas. Existe uma lenda de como surgiu essa ponte, mas não vou contar pq não estou com saco não é o objetivo desse post.
Seguindo mais em frente, têm a pequena estação de Ski Los Penitentes. Se você tiver tempo, quer brincar na neve dá p/ fazer um ski-bunda rapidinho. A partir daí, não tem mais nenhum ponto turístico para parada, somente alguns vilarejos já chegando próximo de Mendoza, mas a paisagem no caminho é fenomenal e vale muito a pena.
A estrada da volta é exatamente a mesma, então as paisagens são iguais também. Se você tem condições $$$ p/ alugar um carro em um país e devolver em outro, faça isso.
Resumindo, se você pretende fazer isso no inverno, caso tenha nevado pouco, correntes são necessárias. Se nevou muito, a estrada fecha mesmo, e não interessa que tipo de carro você tem. NINGUÉM SOBE! Não dá p/ saber quando as estradas estarão fechadas ou abertas. Só se sabe com mais ou menos 1 dia de antecedência. Nós perdemos 1 dia da nossa viagem por conta disso. Se vale a pena? PRA CARALEO.
- Estrada
- Puente del Inca
- Los Caracoles
- Voltando pro Chile
- Fila dos caminhões
- Quase na cordilheira
Falha nossa: Saímos de Santiago sem mapa nenhum. Super difícil de conseguir comprar um mapa rodoviário por lá. Fomos na raça, confiando num “mapa” que o tio da banca desenhou um pedaço de caderno. Mas as estradas são razoavelmente bem sinalizadas, nos perdemos mais pra sair de Santiago, mas na estrada mesmo foi sussa. Siga sempre pela ruta internacional 7.
Data da viagem: 5 de setembro.
Temperatura: Nos pontos mais altos, como por exemplo a aduana, -5 graus. Nos pontos mais próximos das cidades, por volta de 10 graus.
Horas de estrada: Aproximadamente 7 horas. Alguns trechos da estrada perto de Santiago estavam em reforma, então rolava um trânsito. Programe-se para perder o dia todo na estrada, apesar de ser somente 400 km.
Aluguel do carro: 85 USD por dia aproximadamente. Suzuki Grand Vitara 4×4 com correntes, ano 2009.
Preço da documentação do carro: 150 USD aproximadamente.
Gasolina: Mais ou menos 150 USD de gasolina p/ 4 dias (rodamos bastante). Abasteça antes de entrar nos Andes, não tem postos de gasolina por lá. Xixi? Ao natural.
Mapinha:
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Boa!! Vou justamente fazer essa viagem em dezembro! A diferença, pra quem já mora no Chile (meu caso), é a seguinte: pra cuzar a fronteira no seu carro (já assumindo que ele está com todos os documentos em dia), é preciso comprar um “seguro internacional de automóvel”. O seguro vale, no mínimo, 10 dias, então dá pra comprar o mais barato, só pra valer durante sua viagem mesmo. Isso se compra em qualquer seguradora (até no das lojas Paris, Falabella, etc.)
Outra: um guia rodoviário ÓTIMO é o da COPEC (o posto de gasolina mesmo). Se encontra em qualquer livraria, além de algumas unidades do posto de gasolina. Eles também têm, aliás, guias de viagens completíssimos, chamados “Chiletur COPEC” (em 3 volumes: Zona Norte, Centro e Sul), muito bons pra quem viaja de carro pelo Chile, pq tb fala das atrações no meio do caminho, entre uma cidade e outra!
Bom Dia
Muito boa suas dicas p essa viagem
Estou com intuito de fazer essa viagem em novembro e gostaria q vc me tirasse algumas dúvidas
P quem não fala espanhol, dá p se comunicar e entender alguma coisa em Duana
Vc sabe quais locais q durante o trajeto possamos párar p tirar fotos e apreciar paisagens e em mendonza locais p aproveitar.
Se eu só for até a fronteira com a argentina já dá p ver paisagens bonitas ou do lado da argentina tem coisas melhores.
atenciosamente
AC
Oie…
Bom, dá p/ se virar sim falando português. Mas seria bom também se esforçar um pouquinho e aprender alguma coisa né? Mas no geral, na maioria dos lugares muito turísticos as pessoas estão razoavelmente acostumados com o portunhol.
E na estrada acho que a paisagem no lado Argentino é um pouco mais interessante (mais longo dentro dos andes).
ótimas dicas! pensei em fazer esse trecho de avião, mas agora vou repensar!
PS- adorei o blog!
vocês alugaram no mesmo dia no qual chegaram? Não vai demorar a autorização não?
Roger, Alugamos o carro com 1 semana de antecedência….
Olá
Pretendo fazer o mesmo caminho que vcs em janeiro de 2010, e realmente estou com muitas dificuldades em encontrar informações. Sobre a antecedência necessária e a documentação já estava sabendo. Minha dúvida é : é necessário também pagar algo nas fronteiras,isto é, na alfândega ?
Sim, tem uns pedágios nas alfândegas… Mas nao passa de 10 USD no total.
Olá!
Estou querendo ir para Mendoza em fevereiro. Eu e o meu marido acreditamos que é de grande importância reservar todos os serviços através de uma operadora local, pois assim estaríamos garantindo boas aventuras lá. Uns amigos me recomendaram muito a operadora Mendoza Holidays (http://www.mendozaholidays.com), você conhece essa operadora de Mendoza? Eles falaram que é muito boa e profissional.
Sugestões são muito bem vindas. Desde já agradeço. Um abraço.
Olá,
Estou pretendendo fazer essa viagem em março de 2010. Agora queria depois seguir de avião para Buenos Aires. A dúvida que não quer calar… É muito mais caro alugar o carro em Santiago e devolver em Mendoza?
Valeu
Ixi Fabio, não faço a menor idéia. Mas se vc ligar na locadora de carros aqui, numa Hertz por exemplo, eles conseguem te informar.
Prezado:
Neste Natal vou fazer a viagem que vocês fizeram. Agradeço pelas dicas. No início do ano, contarei aqui a aventura. Abraços e obrigado pela dicas.
Carlos, de Registro – Vale do Ribeira – SP
Olá!
Pretendo fazer uma viagem ao Chile em dezembro de 2010 (sei que é um pouco cedo mas já quero ir aprontandoas coisas). Esse trecho será apenas o “fim’ da viagem, eis que sairei de São Carlos/SP,passarei por Foz, Córdoba, Mendoza e, enfim, Santiago (quero antes passar por Viña del Mar). Minha dúvida é com relação a combustível: é fácil achar postos nas estradas argentinas/chilenas?
Se souber responder,ficarei muito grato!
Thiago, as estradas costumam ter muitos postos de gasolina sim. Se você comprar o guia de estradas do COPEC, aqui no Chile, ele mostra os lugares em que têm postos disponíveis! Só não conte com lugares de abastecimento na Cordilheira dos Andes. Lá, são muitos kilômetros desertos (mas de paisagem cinematográfica, pode apostar).
Alguém saberia me informar onde pago a taxa ( “visto”) para o carro alugado? Vou para Santiago agora dia 05/04 e vou pegar o carro no dia 7. Será que posso pagar aqui mesmo no Brasil ou é na Locadora mesmo. Estou preocupado porque pedem 7 dias de antecedência e até agora não descobri a respeito desta taxa.
Daniel,
Eu lembro que na epoca liguei para a Hertz aqui de SP mesmo e eles informaram todas as taxas. Você avisa que precisa da documentacao de travessia e eles tb possuem todos os valores. Então dá p/ sair do BR com tudo pago e arranjado.
A descricao da viagem feita pela Estelis eh muito boa. Agradeco as dicas. Pretendo fazer a travessia com esposa e filha (19 anos) mas confesso que estou apreensivo por dirigir em pista com congelamento e uso de correntes nos pneus que nao tenho nenhuma experiencia. Alguem tem mais alguma dica desta viagem durante o inverno?
Abraco a todos
Paulo
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